INÍCIO: a cidade era um bairro chamado “Santa Cruz da Boa Vista”

Antiga Praça João Pessoa
Antiga Praça João Pessoa

O que distinguia “Santa Cruz da Boa Vista” dos bairros da época era o estilo festivo de seus poucos moradores. No final do século 19, quando não abrigava mais que duzentos habitantes, apesar do nome oficial, já era conhecido por “Bate Pau”, o que nada tem a ver com brigas, mas com a dança tradicional de escravos que se alojavam nos arredores do Morro Azul.

Era um lugarejo tranqüilo, de poucas casas. A década de 1910 ficou marcada por fatos que seriam o alicerce do lento progresso que chegaria. Em 1912, instalou-se a primeira escola primária, na Praça João Pessoa, com a chegada da primeira professora, Dona Constantina Vaz.

Por volta de 1915, chegou a família Simões, vinda de Limeira. Logo depois, o Capitão Paulo Simões inaugurou a primeira farmácia, a “Farmácia Veado”. Em sua casa, Dona Auta de Oliveira, sua esposa, costumava coar café e receber os professores que vinham de fora, de trole, bem como políticos e amigos que procuravam a família.

Seu Barretinho e Sinhá Silveira foram donos do primeiro telefone da vila (em 1911) e de uma grande casa onde instalaram, em 1916, o primeiro armazém de secos e molhados.

A família Ometto chegou em 1918, quando comprou a Fazenda Aparecida, antiga Fazenda Angélica. Os responsáveis por ela eram João, Constante e José Ometto. A cana-de-açúcar foi o grande alicerce econômico. Com os Omettos, veio a energia elétrica. Até então, a iluminação era feita por lampiões.

A população foi crescendo e, em 1923, o Governador do Estado de São Paulo, Washington Luís, elevou o povoado à categoria de Distrito de Paz, por meio da Lei nº 1931, de 29 de outubro. O Distrito, pertencente a Limeira, passou a se chamar Iracemápolis, uma homenagem ao coronel José Levy, proprietário da Fazenda Iracema, em cujas terras nasceu a vila.

Coreto da Praça João Pessoa
Coreto da Praça João Pessoa

 

LÁBIOS DE MEL

“Iracema” vem da língua indígena e quer dizer “lábios de mel”. “Polis” é de origem grega e significa “cidade”. Portanto, Iracemápolis é a “cidade lábios de mel”.

Seu habitante ficou conhecido erroneamente como “iracemapolense”. O correto, de acordo com as normas da língua, seria “iracemapolitano”. Afinal, “polis” na formação do gentílico dá origem a “politano” e não a “polense”.

 

CRESCIMENTO

O Cartório de Registros foi aberto em 1924. O primeiro registro ocorreu em 6 de agosto daquele ano, com o nascimento de Humberto Ferreira, filho de Luiz Ferreira e Maria Roland de Castro.

O primeiro casamento a se realizar em Iracemápolis foi o de Joaquina de Godoy Castro (Dona Quininha) com o jovem Eunice de Azevedo, em 27 de setembro de 1924. Em 1930, o Sr. Gaudino Gonçalves de Lima fez uma reivindicação de reserva de terras para o sepultamento de mortos, pois até então eram conduzidos em carroças para Limeira e Piracicaba. Em um terreno de 620 metros quadrados, doado pelo Coronel José Levy, o Cemitério Municipal foi inaugurado naquele mesmo ano.

Em 1936, abre-se a primeira padaria, a “São José”. Logo depois, Antônio Guarino abriu uma loja de roupas e armarinhos, a “Porta Larga”. E veio o primeiro cinema, o “São José”.

 

COSTUMES

O Distrito não possuía mais que quinze casas nos arredores da Praça. A Fazenda Iracema e o bairro da Cachoeira eram os grandes contingentes populacionais, com seu povo simples e trabalhador.

Era comum as moças contornarem diversas vezes a Praça para cortejarem os rapazes. Mas, namoro mesmo, só na frente dos pais!

No clubinho do Seu Joaquim Nolasco, os bailinhos eram animados. Missa só havia no primeiro domingo do mês até a criação da Paróquia Jesus Crucificado, em 1936. Em frente à Capela, havia um terreno cheio de mato. Só para os dias de festas é que se fazia o roçado.

No único estádio de futebol, aos domingos, aconteciam as grandes partidas, prestigiadas também pela torcida feminina. Vários jogadores marcaram época e trouxeram momentos de alegria inesquecíveis.

Como não havia água canalizada, muitas mulheres iam ao Ribeirão Cachoeirinha lavar roupa. Afinal, a terra vermelha produzia, mas também dava trabalho.

Ribeirão Cachoeirinha, onde as mulheres lavavam roupas
Ribeirão Cachoeirinha, onde as mulheres lavavam roupas

 

PROGRESSO

Em 1937, Constante, Pedro, João, Luiz e Antônio Ometto fundam a Companhia Industrial e Agrícola Ometto, com o objetivo de instalar uma destilaria de álcool na recém-adquirida Fazenda Iracema.

No mesmo ano, é criado o curso de alfabetização de adultos. O primeiro professor foi o Sr. José Chinellato, que viria a ser, anos mais tarde, o primeiro prefeito de Iracemápolis.

O ano de 1944 foi um marco na educação. Foi inaugurado o Grupo Escolar de Vila Iracemápolis, que mais tarde passou a denominar-se Grupo Escolar “Antonio Cândido de Camargo”. Fortalecia-se o comércio e o bairro já pretendia ser cidade.

Em fins dos anos 1940, é aberta a “Cooperativa Popular de Consumo de Iracemápolis”, que por mais de trinta anos foi o maior e mais completo armazém utilizado pelo povo.

No início dos anos 1950, toda área ocupada hoje pelo centro era formada por chácaras e sítios, que eram a sobrevivência das famílias.

 

Começo do progresso obras de canalização das ruas do Centro
Começo do progresso: obras de canalização das ruas centrais

 

ENFIM, IRACEMÁPOLIS!

Muitos moradores batalharam pela emancipação do Distrito, mas não há dúvida de que a figura de Paulo Aparecido Simões foi de enorme importância. Na época, Paulo era vereador em Limeira e encaminhou uma moção requerendo a independência de Iracemápolis, o que veio a ser sua “certidão de nascimento”.

Com a emancipação, a cidade passou a ter vida própria e seus próprios prefeitos. De acordo com o que dispõe a lei nº 2.456, de 31 de dezembro de 1953, foi instalado no dia 1 de janeiro um novo município no Estado de São Paulo: Iracemápolis!

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Texto adaptado do livro “Iracemápolis: Fatos e Retratos”, escrito pelo professor José Zanardo.

 

Bandeira e brasão oficiais
Bandeira e brasão oficiais